Abril é o único mês do ano que reúne, simultaneamente, duas grandes campanhas de conscientização com estrutura e propósito bem definidos: o Abril Verde, voltado à saúde e segurança no trabalho, e o Abril Azul, dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Diferentes em tema, essas campanhas compartilham um núcleo comum: o respeito à vida humana em todas as suas formas e contextos.
Abril Verde: a memória que protege o presente
O Abril Verde surgiu como forma de lembrar o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho, celebrado em 28 de abril. A campanha foi criada no Brasil pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) e tem como objetivo transformar a memória das vítimas em impulso para a prevenção.
Segundo o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou cerca de 612 mil acidentes de trabalho em 2023, dos quais mais de 2.500 foram fatais. Por trás desses números, há vidas que poderiam ter sido protegidas com medidas preventivas bem implementadas e uma cultura de segurança genuinamente incorporada pelo ambiente de trabalho.
No contexto industrial, o Abril Verde é uma oportunidade de reforçar práticas que devem ser cotidianas: o uso correto e consistente dos EPIs, a manutenção preventiva de equipamentos, a comunicação imediata de condições inseguras e a participação ativa em treinamentos. A prevenção não começa na norma — começa na atitude de cada colaborador, todos os dias.
Abril Azul: incluir é uma forma de crescer
O Abril Azul foi instituído pela Organização das Nações Unidas em 2007, com o Dia Mundial da Conscientização do Autismo em 2 de abril. A campanha busca ampliar o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista, combater preconceitos e promover a inclusão de pessoas com TEA em todos os espaços sociais — incluindo o ambiente de trabalho.
O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação social, o processamento sensorial e a flexibilidade comportamental. Segundo a OMS, cerca de 1 em cada 100 crianças no mundo é diagnosticada com TEA — e no Brasil, estima-se que mais de 2 milhões de pessoas vivam no espectro. O diagnóstico precoce é fundamental: quanto antes a criança recebe suporte adequado, maiores são as suas possibilidades de desenvolvimento.
No ambiente corporativo, a inclusão de pessoas com TEA traz perspectivas e habilidades que frequentemente surpreendem: atenção excepcional a detalhes, foco sustentado em tarefas específicas, honestidade e confiabilidade acima da média. Cuidar da inclusão é cuidar da riqueza coletiva.
O que cada colaborador pode fazer
Para o Abril Verde: adote os EPIs corretos para cada atividade, mantenha sua área de trabalho organizada e sinalizada, e reporte imediatamente qualquer condição de risco. Lembre-se: segurança começa em você, e protege quem está ao seu lado.
Para o Abril Azul: informe-se sobre o que é o autismo, desfaça mitos (pessoas com TEA têm empatia — esse é um mito comprovadamente falso), e contribua para um ambiente onde a diferença é respeitada. Inclusão verdadeira começa no gesto cotidiano.
Verde e azul. Dois compromissos que, ao fim, têm a mesma raiz: o cuidado com as pessoas. No trabalho, fora dele, em todas as formas que a vida humana assume.




